Projeto ABA

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ABA: Muito dura ou muito mole?

Você não está simplesmente subornando meu filho?

Quando trabalhamos com famílias, às vezes os pais dizem, “Mas eu não quero precisar subornar meu filho para fazê-lo escovar os dentes.” Uma percepção comum é a de que um reforçador introduzido seja o mesmo que uma oferta de propina. Na verdade, esse reforçador não poderia ser caracterizado como tal. “Propina” se refere a algo ilegal, ilícito ou inadequado. Por outro lado, um reforçador é um tratado, um acordo, feito com antecedência. Neste acordo, estamos tratando de aumentar a frequência de um comportamento que não está acontecendo ou não acontece com a frequência que deveria. E por que não? Porque é difícil, porque a criança não quer, porque é aversivo, porque dá muito trabalho. Nessa situação, a criança está produzindo um esforço adicional para alcançar algo que ela nem mesmo sabe fazer e provavelmente tampouco queira fazer. Com a introdução de um reforçador, ela passará a investir seu esforço mediante uma recompensa SOBRE ESSE AUMENTO DE ESFORÇO. Isso não significa que esse indivíduo continue precisando de uma recompensa para escovar os dentes até os 30 anos. Quando obtivermos esse comportamento instalado em seu repertório, torna-se mais fácil encontrar um atrativo  comportamental como: quando você se veste bem e seus dentes estão limpos, outras crianças querem brincar com você na escola. O próprio desfecho desse novo comportamento aprendido passará a mantê-lo, substituindo aquilo que se receava  como estabelecer-se como propina, e nesse ponto podemos abandonar o reforço artificial.

Sempre que adicionamos um reforçador, o fazemos para associar uma recompensa pelo esforço adicional, e fazemos isso sempre com a intenção a abandoná-lo posteriormente

Muitos pais têm receio de adicionar o reforçador, pensando que ele precisará ser mantido pelo resto da vida. Isso faz desse assunto uma boa conversa a ter com os pais: Mesmo que pareçamos estar tratando a criança com exagerada indulgência ou até mimando-a, a questão é que estamos usando um procedimento sistemático para preparar a criança a lidar com as mesmas condições de vida que já enfrentamos com facilidade.

Outro aspecto importante disso é que a contingência de reforço deve ser estabelecida antes do comportamento. Você nunca quer esperar até a pessoa está no meio de um comportamento inadequado, uma birra, e nesse momento tentar negociar a contingência. Se a criança estiver iniciando uma birra e você disser: “Se você se acalmar, eu te deixo comer um pirulito”,  isso pode reforçar a birra! Mesmo que você só mostre o pirulito no meio de uma birra! Você tem que planejar as contingências com antecedência, e mantê-las em vigor mesmo durante a birra.

Crying

O que é ABA? É só deixar a criança chorar até cansar?

Enquanto algumas pessoas entendem que a ABA tem o intuito de mimar a criança com um excesso de reforços, outros consideram que a ABA ela é dura demais, e que analistas do comportamentos só fazem a criança chorar até cansar. Temos que ser proativos para divulgar a mensagem central da ABA: O objetivo é dar reforço para comportamentos adaptativos para que ocorram com maior frequência, e garantir que comportamentos desadaptativos não recebam reforço, de modo que deixem de funcionar para aquela criança e, portanto, não ocorram mais. Sempre que possível, no lugar de comportamento problema, é nosso compromisso ético de ensinar habilidade e dar oportunidade para a criança aprender a cumprir as necessidades com comportamento mais adaptativo: queremos construir habilidades!

Não garantir reforço para um comportamento é o que é chamado tecnicamente de “extinção”. É importante destacar que extinção não é o mesmo que punição, mas sim o processo que fará com que o comportamento seja deixe de ocorrer. A distinção entre punição e extinção é significativa, pois no caso de punição, há introdução de algum elemento aversivo ou a remoção de algum reforçador. Os verdadeiros analistas do comportamento evitam usar punição a todo custo, e aplicam extinção de forma concomitante ao ensino de novas habilidades, usando reforço positivo para diminuir comportamentos-problema.

Se uma criança perceber que bater nos demais não produz o resultado que ele procura, ele vai parar. Ele aprenderá maneiras mais adaptativas de solicitar itens e aprenderá a aceitar “não” como resposta. No final, nossa esperança é extinguir esse comportamento-problema e criar um vínculo com a criança para que ela possa ser ensinada enquanto realiza sessões agradáveis: o aprendizado é dificultado se vindo de alguém de quem não se gosta! Os instrutores também encontram para si mesmos um reforçador em seu trabalho quando este é prazeroso, e quando podem constatar a evolução do cliente. Para ser sincera, esse foi o mais importante motivador da autora no início de sua carreira! Um olhar mais equilibrado Apesar dos divergentes percepções sobre a ABA, ela é uma abordagem que coloca o bem estar da criança no primeiro plano através um plano de ensino individualizado. Por mais que seja inevitável que a criança chore em algum momento, também queremos garantir que a criança ria, brinque e aprenda muito ao mesmo tempo. A meta final é que a criança desenvolva habilidades novas para lidar com frustrações da vida cotidiana enquanto cumpre as necessidades com habilidades adaptativas, vivendo sua vida da forma mais independente possível!
Hug